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Com a Palavra - Alunos

18/08/2014

O tempo e o homem

A relação entre o homem e o tempo é algo mais antigo que a consciência humana. Afinal, o tempo sempre existiu e fomos nós que entramos em seus domínios. Tudo que é material, um dia, perecerá, a humanidade não será exceção.

Gabriel Rodigueiro Série/turma: 3ª/301

Gabriel Rodigueiro
Série/turma: 3ª/301

Contudo, especialmente na atualidade, o homem se ilude ao crer que é senhor do próprio tempo. Por isso, surgem indagações que sugerem uma reflexão a respeito do modelo de vida atual e sobre os efeitos dessa relação.

Durante a evolução da sociedade, houve várias formas de interação entre o homem e o tempo. Enquanto hominídeos selvagens, para nós, o tempo funcionava da mesma forma que, ainda hoje, vemos nos animais: os instintos governam. Com a sedentarização dos clãs e, posteriormente, a prática agrícola, surgiu uma nova percepção cronológica: o ciclo das colheitas. Por milênios essa foi a forma predominante. Na civilização ocidental, percebe-se um novo modelo cronológico durante a Idade Média. Teocêntrica, a nova órbita da sociedade passa ser a religião e seus sacramentos são as marcas temporais pelas quais o homem da época dá sentido à sua vida. Naquele momento se estabelece um panorama visto até hoje: uma entidade imaterial rege as massas.

Com a Revolução Industrial e a consolidação do Capitalismo, o poder é deslocado da religião para o Estado. Nessa época, marcam a vida do trabalhador os relógios de ponto e as duras jornadas de trabalho. Os movimentos sindicais afrouxam os grilhões das indústrias, porém não são capazes de combater o Sistema. Se existem férias é porque alguém as concede. A vida, querendo ou não, flui através da necessidade manter “a roda girando”.
Atualmente, a sociedade é mais sutil ao impor seus modelos, de tal forma que ela aprendeu a usar o inconsciente para fazê-lo. “Vendendo” uma possibilidade de vida melhor, a educação se tornou o ciclo precursor da vida de trabalho. Durante muitos anos, a criança, posteriormente jovem, vai à escola. Ao fim dela, por uma pressão generalizada, presta concursos para ingressar no Ensino Superior. Feito isso, o indivíduo passa a vida trabalhando. Se ele constitui família, precisa trabalhar mais. Se não constitui, busca, da mesma forma, crescer no emprego para viver melhor e ter uma velhice tranquila. Enfim, tudo se resume em estudar, trabalhar, estudar mais um pouco para receber mais no trabalho e, tendo trabalhado por muito tempo, ter uma velhice estável.

Os avanços tecnológicos permitiram que tudo seja feito de forma mais rápida, mais prática e mais eficiente, em termos de funcionalidade. Contudo, no contexto psicológico, eles difundiram uma carência de tempo aos indivíduos. As pessoas estão sempre correndo, ora no sentido literal da palavra em virtude de um atraso, por exemplo, ora pela necessidade de se fazer mais em menos tempo. O Capitalismo exige que se produza, que se atinjam metas, que haja lucro. O trabalhador vive para satisfazer o Sistema, queira ele ou não. Essa é a forma de vida da sociedade de consumo.

Infelizmente, essa pressa está se refletindo em momentos inoportunos. Relaxar está cada vez mais difícil. O lazer não é mais tranqüilo. Computadores e celulares permitiram que se trabalhe em casa. E, mesmo depois de um dia intenso de trabalho na empresa, o executivo, por exemplo, usa esses instrumentos para adiantar o trabalho do dia seguinte enquanto está em casa, que seria o instante que ele deveria dedicar-se a si mesmo. É por isso que a sociedade está doente, atacada por um quadro depressivo de abrangência geral. Trabalhamos para consumir. O consumo traz satisfação, mas a inovação tecnológica produz novos itens e, para estarmos satisfeitos, precisamos comprar o que há de mais recente. Para comprar, precisa-se de dinheiro e este vem do trabalho. Dessa forma o ciclo se mantém.

O trabalho, de forma geral, é feito de forma consciente. A consciência, segundo Freud, funciona recebendo informações do meio e devolvendo reações a ele. Ela é um sistema vital, porém pobre, porque priva o indivíduo de atividades psíquicas mais profundas como os devaneios e as reflexões. Sendo fruto da consciência, o trabalho funciona como ela, ou seja, recebendo dados externos e devolvendo ações ao meio. O que está causando problemas é a aceleração crescente envolvida nesse processo. A interpretação de dados é mais rápida, conseqüentemente, a sua resposta. Assim, não há tempo para que muitas dessas informações sejam retidas e transformadas em memórias.
A memória é a chave para o entendimento do tempo pelo homem. O presente é uma partícula intangível, que está comprimida entre o passado e o futuro. Quando nos damos conta do presente ele já se tornou passado, porque cada momento é e, logo após, já foi. O passado se constitui pelas recordações que agregamos ao longo da vida. Ele é o conjunto de memórias. Já o futuro é algo sombrio, porque a única certeza nele é a morte. Porém, tendo uma bagagem de memórias, fazemos planos para o futuro, aquecendo-o com desejos e sonhos.

O estado melancólico, posteriormente depressivo, se manifesta quando as ações cotidianas deixam de se tornar memórias pela sua rapidez. Logo, o indivíduo vai perdendo a noção da passagem do tempo, do sentido da vida e do porquê ele está aonde se encontra. Tais pensamentos levam ao estado depressivo, transformando uma pessoa, outrora ativa e saudável, num escravo da auto-piedade. Uma vez que a Aceleração está presente na vida de todos, os quadros melancólicos que ela gera estão tomando proporções epidêmicas.

O tempo rege nossas vidas, não há como negar. Porém, para que o indivíduo não se torne seu escravo, ele precisa aprender a administrá-lo. Vivemos em busca da satisfação e o trabalho é, sim, uma forma de adquirir coisas que a proporcionam. Entretanto, o lazer também é uma maneira de se satisfazer, além de tornar a correria diária mais leve. Manter um estilo de vida saudável, regrado e ativo é uma forma de conseguir conciliar os desafios que a sociedade impõe com as necessidades que, como seres humanos, precisam de atenção. Não somos máquinas, por mais que nos comportemos como elas, às vezes. Somos de carne e osso, sujeitos ao sucesso e ao erro, à alegria e à tristeza. Por isso, é fundamental que tenhamos ideia das nossas limitações, para que possamos saber quando devemos reduzir a velocidade da vida e aproveitá-la da forma mais satisfatória possível.

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